#lei

Save me

Pedro Lucas-

Meu nome é Pedro Lucas. Eu tenho 14 anos, 1,58 de altura e não sei dançar. Eu sempre tive uma certa aptidão com música e esportes, mas nunca gostei de dançar, acho que porque minha mãe sempre tentou me ensinar, mas eu nunca consegui mesmo...

Eu estudo no primeiro ano do ensino médio, mas espera um pouco! Essa história é sobre o meu passado, não sobre o meu presente. Então eu sugiro que nós voltemos um pouco mais para trás, lá para 2014...

Eu tinha acabado de começar a sétima série quando o meu melhor amigo, Vinícius, pediu para que eu fosse para a sala dele, assim, eu pedi para a minha tia, que trabalha na escola, para fazer um requerimento de transferência de classe.

No outro dia, eu fui a escola, crente que todas as pessoas da sala seriam legais. Eu entrei na sala, e avisei minha professora de história muito amiga minha que estava dando aula, que eu tinha mudado de sala, e pedi para ela assinar o papel de remanejamento de sala. Mas eu entrei, e eu não esperava que eu ia conhecer o amor da minha vida lá.

Eu entrei na sala e vi algumas pessoas, umas bonitas, e outras feias, vi pessoas gordas e pessoas magras. Mas eu estava conversando com um menino com quem fiz amizade lá, e virei o olhar para o lado por um instante. A pior coisa que eu poderia ter feito na minha vida. E naquele momento eu vi.

Eu vi ela sentada ali, tão quietinha na dela, escrevendo alguma coisa na carteira. Ela era tão linda, era baixinha, poucos centímetros menor que eu, era um pouco gordinha, mas mesmo assim era linda, e o nome dela era Bianca.

Mas a minha felicidade durou pouco.

Eu fui falar com ela. E hoje eu penso: “Por que eu fui hein? Por que eu não fiquei sentado na minha? ”. Mas você, leitor, já vai entender o porquê.

PL – Oi!

Bianca – Olá.

PL – Como você se chama?

Bianca – Eu me chamo Bianca. Como você se chama?

PL – Pedro Lucas.

Bianca – Entendi.

PL – Tudo bem?

Bianca – Não.

PL – Por que não?

Bianca – Não é da sua conta.

PL – Nossa, não precisa ficar brava comigo! Não te fiz nada oxe!

Bianca – Não quero saber! Some da minha vista!

PL – Nossa, eu só vim pedir um apontador emprestado, mas já que você não está com cabeça no momento para emprestar então eu volto outra hora.

Bianca – Não precisa nem voltar!

Percebi que ela estava brava então saí de perto e deixei ela se acalmar. Decidi falar com ela em uma hora mais propícia.

-Bianca-

Nossa. Como eu estou mal, não terminei o trabalho de geografia e tem prova de ciências amanhã. Como eu estou ferrada.

Queria ir ver o rodeio que vai ser em Barretos em dois dias, mas não vou conseguir, porquê simplesmente minha mãe não deixa. De acordo com ela, cavalos são uma completa perda de tempo. Mano. Como ela pode achar isso? Cavalos são animais tão perfeitos! E como eu queria um!

Sim, eu gosto de cavalos. Acho que o motivo de eu gostar tanto de cavalos foi por que o meu avô gostava. Eu sentava no colo dele e ficava vendo o leilão de cavalos com ele, ele me falava sobre eles e eu achava tudo tão emocionante que eu acabei me apaixonando.

E como assim? Quem será esse tal de Pedro Lucas? Acho que fui meio dura com ele, mas quem mandou ele ser inconveniente e vir me irritar a hora que eu estava brava? Mas tudo bem, segue a vida.

Fui na carteira da professora perguntar para ela sobre uma questão que eu tinha a respeito da prova do outro dia, e passei ao lado da carteira do PL e dei um tapa na cabeça dele! Não sei por que eu fiz isso, mas eu me senti tão bem! Reparando agora, mas que menino lindo esse tal de PL hein! Daí eu sentei na carteira, e fui escrevendo algumas coisas sobre Geografia no meu caderninho de anotações, nisso ele passou e me deu um tapa na cabeça e acariciou meu cabelo.

Bianca – Oxe! Como assim moleque?

PL – Só devolvi o tapa Bianca.

Bianca – A hora que eu te pegar você vai ver menino!

PL – To contando os segundos para isso... ;)

Que menino trouxa! Ele conseguiu me irritar mais do que eu já estou irritada! Mereço mesmo, agora tenho rixa com moleque. Mas até que admito que gostei da coragem dele... Vou investigar mais sobre quem é esse PL....

-Pedro Lucas-

Mereço, agora essa menina me irrita e eu não posso revidar? Mas é muita audácia mesmo! Mas, falando sério agora, até que gostei dessa menina.... Vou ver quem que é essa tal de Bianca....

Fui para casa e pelo resto do mês a mesma coisa, a Bianca batendo na minha cabeça toda vez que ela passava, e a gente discutindo feito dois loucos, todo mundo da sala dizendo: “Eles se amam, só pode. ” E todos os professores juntando nossos pais para conversar e mesmo assim não adiantava nada.

Nisso passaram-se meses, até que chegou no outro ano, em que nós dois estávamos na oitava série e continuávamos brigando...

Mas algo dentro de mim dizia que eu não queria que aquilo continuasse. Algo dentro de mim queria que a gente fosse um casal. Mas eu não sabia se ela queria.

Nisso comecei a “investir” naquilo, todo dia conversava com ela, mas mesmo assim, todo dia ela arranjava um motivo para a gente brigar. Não sei por que eu prosseguia com aquilo. Eu só podia estar louco.

Nisso cheguei em casa em uma bela quinta-feira de sol e minha avó e meu avô estavam muito agitados, disseram que minha mãe tinha tido mais uma convulsão e meu pai tinha achado ela caída no banheiro, e que ela estava muito mal.

Chegamos uns 10 minutos antes da ambulância e eu fiquei olhando para ela enquanto colocavam ela na maca. Meu pai do céu, como ela estava desnorteada. Ela estava muito confusa, não conseguia falar nada sem babar e estava fria como gelo.

Perguntei para um paramédico que estava no local para onde que iriam levá-la, disseram que iam ao hospital mais próximo nisso eu fui junto com meu avô atrás da ambulância.

Falei com o médico responsável pela minha mãe na ocasião e ele disse que ela tinha muita chance de ficar boa, e que daqui alguns dias eles a liberavam.

Acordei segunda e fui para a escola todo feliz da vida por que minha mãe teria alta hoje, mas o dia foi o pior da minha vida. Cheguei na escola, briguei com a Bianca (como sempre), e fiz uma atividade que valia 20 pontos da minha nota.

Nisso um pouco depois do intervalo eu fui para a minha sala, e uns quinze minutos depois o meu irmão, e duas primas minhas apareceram na porta da sala, junto com a diretora, que também era minha amiga. Na hora eu pensei: ferrou. Mas não era por isso que ela estava lá.

Eu fui para casa com o meu irmão, enquanto minhas primas foram à padaria comprar refrigerante para mim, o que eu achei muito estranho, já que eles nunca compravam as coisas superficiais que eu queria. Nisso virei a esquina da rua da minha casa e tinham, sei lá, uns 30 carros lá na frente, e um monte de gente no portão. Na mesma hora eu soube o que tinha acontecido.

Fui para o meu quatro e comecei a chorar compulsivamente. Minha mãe tinha morrido.

-Bianca-

Eu vi ele, e sinceramente, ele estava muito lindo, eu dei um tapa na cabeça dele e falei oi. Nisso ele falou oi também e foi para outro lado ver uma amiga nossa, a Mariana, que deu um abração nele e ficou abraçadinha com ele. Mano. Isso deu muito ciúmes. Mas daí ele começou a chorar. Só começou a chorar, não sei por que. Nisso a Mariana foi para a quadra de esportes e eu segui ela.

Bianca – Oi Mari!

Mariana – Oi Bi! Como cê está?

Bianca – To bem e você miga?

Mariana – To bem também.

Bianca – Por que o PL estava chorando?

Mariana – Oxe amiga! Você não está sabendo?

Bianca – Sabendo do quê?

Mariana – A mãe do PL morreu. Ele está muito mal, não sei como você não percebeu.

Bianca – Nossa! Nem sabia amiga. Vou ir falar com ele.

Mariana – Aproveita e beija ele miga! ^-^

Bianca – Não amiga, eu não gosto dele.

Mariana – Para de fingir. Todo mundo da escola sabe que você gosta do Pedro Lucas. Menos ele, por que ele é lerdo.

Bianca – Mas será que ele não briga comigo?

Mariana – Claro que não! Ele está precisando de apoio amiga! E ele pediu para eu não contar, mas ele me disse que agora, para ele melhorar ele só queria um abraço seu. Só queria saber que você está com ele, que você sabe o que ele está passando, que você ama ele.

Bianca – Okay amiga. Vou lá consolar meu namorado.

Mariana – Vai com Deus amiga!

Nisso eu fui, cheguei perto dele, ele estava bem mal, limpando as lágrimas que saiam do rosto dele com a manga da blusa, nisso eu só cheguei e abracei ele. Mano. Mas que abraço bom. Nisso eu olhei para ele, eu estava muito nervosa, mas não deixei isso me abalar. Encostei a minha testa na dele, e poucos segundos depois eu beijei ele. E naquele momento eu percebi que eu não poderia viver sem ele.

Bianca – Relaxa amor, está tudo bem, eu te amo. Tô aqui pro que der e vier contigo okay?

PL – Okay Bia. Também te amo.

-Pedro Lucas-

Hoje eu percebo que a morte da minha mãe teve um “lado bom” de certa forma, e que eu aprendi a ser bem mais forte com isso.



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