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Diário de Maxwell

Venho planejando esta viagem ao monte Wigfrid há muito tempo, e espero que seja bem mais desafiadora do que a última na Amazônia. Como de costume preparei meus suprimentos, neles estou levando comida e água para três dias com uma refeição extra, além de pederneira e matérias de rapinagem. Parti cedo do porto da cidade mais próxima e cheguei ao pacato vilarejo onde avisto apenas algumas casas, uma igreja acima da colina e, logo após o grande rio, o monte Wigfrid. 

Apreso-me para ter um maior aproveitamento do dia e conseguir progredir pelo menos até um terço do caminho antes do anoitecer. Encostei meu barco nas pedras à beira do rio e prossegui. Andei um bom trajeto, mais ou menos a metade da minha meta para hoje, até agora está indo tudo bem, a única coisa que está me matando é o calor insuportável que faz nesta floresta, além disso, a umidade da floresta não deixa meu suor secar fazendo minhas roupas ficarem encharcadas. Mas tudo isso é planejado, fiz uma pausa para o almoço e lá se vai uma das minhas refeições e uma das garrafinhas de água. Esse almoço me deu uma moleza, sento-me na sombra de uma árvore cuja copa é bem grande e faz uma bela sombra. Acordei com picadas de insetos, olho para o céu e vejo um tom alaranjado indicando que o pôr-do-sol está próximo, então corro para coletar lenha, pois sem ela não consigo manter o fogo de noite, o que é uma coisa essencial caso eu não queira ser perturbado pelos insetos que estão nesta floresta. Por pouco consigo acender a fogueira, porém com esse meu cochilo creio que terei que racionar alimentos e água, pois irei demorar um pouco mais na minha jornada.

Dia 2

Acordo com o som dos pássaros ao meu redor, o sol mal nasceu e eu já estou em pé, irei recuperar o tempo perdido de ontem hoje, vou andar com o dobro da velocidade. O sol está raiando na minha nuca e esse calor está de matar, mas não farei uma pausa para o almoço ainda irei progredir mais um pouco, esperar o sol ficar menos intenso. Bom, o sol deu um sossego então fiz minha refeição, mal acabei e já sai andando. Alguns metros à frente me deparo com um paredão, subo com facilidade, porém não muito acima avisto outro com o dobro do tamanho. Por conta disso retiro meus equipamentos, amarro uma corda na minha cintura e jogo por cima de um troco velho caído acima do paredão, ele parece estar bem firme. Apoio meus pés nas pedras cheias de musgos e rachaduras, tomo muito cuidado para não deslizar, pois uma queda daquela altura me deixaria inconsciente. Estou quase no final e sinto minha mão suar e a tensão aumenta, pois o tronco começa ranger, eu o achava seguro, porém estava errado. Quando estou quase no topo minhas mãos escorregam e eu faço certa tensão na corda que acaba derrubando o troco, assim, cai no chão.

 Dia 3

Terceiro dia, acordo desnorteado da queda de ontem, me vejo em meio a sangue e insetos. Tento levantar e não consigo, pois minha perna aparentemente está quebrada. O meu estoque de água derramou e o alimento, devorado por pequenos roedores. Percebo que não dá mais para continuar então resolvo voltar, pois ainda não estava tão longe do rio. Com minhas últimas forças pego pedaços de cipós e alguns bambus e faço uma tala, com ela consigo mancando prosseguir meu caminho. Encontro dificuldade ao descer o primeiro paredão, porém consigo. O tempo passa depressa demais nesta floresta, já está escurecendo de novo, com minhas últimas forças faço uma fogueira para passar a noite.

 Dia 4

Acordo com a boca seca e com muita fome. Estou muito cansado por conta do sangue perdido na queda. Mas não deixo isso me abalar, prossigo com fé que ainda irei voltar para casa. Continuo andando e escuto o som ensurdecedor do rio e suas quedas d’água. Chego nas margens com o sorriso estampado no rosto e um grande alívio, percebo que o nível do rio havia subido e levado meu barco para longe. Entro em desespero, mas avisto duas crianças no outro lado do rio, porém não posso ficar em pé. Junto forças que quase não possuía e grito, mas as meninas não conseguiram ouvir, assim, percebo que acabou para mim.



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