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Reviravoltas da vida

Num dia normal de estudo para um jovem negro em uma escola pública, aconteceu um fato que marcaria a vida de Jhonathan. Em uma aula de História, a professora falava sobre a vida árdua e sofrida durante a escravidão. Muitos estavam na sala fazendo algazarra, mas os poucos negros presentes prestavam muita atenção, pois era um assunto importante para a história negra. Alguns alunos não toleravam negros e começaram a caçoar e xingar Jhonathan, que estava ali ouvindo tudo.

Quando bateu o sinal do intervalo, ele saiu correndo e foi num cantinho chorar, pois não aguentava mais esses deboches. Durante o intervalo inteiro, seus amigos o procuraram; quando conseguiram encontrar, perguntaram o que havia acontecido. Triste e chorando, Jhonathan respondeu com palavras dolorosas que seus colegas o xingaram. Um pouco mais calmo, pediu para ir embora mais cedo.

No caminho para a casa, Jhonathan pensou diversas vezes em acabar com tudo aquilo. Cogitou se atirar na frente dos veículos que estavam passando na rua, mas quando chegou em casa, viu que seus pais não estavam lá; olhou a faca em cima da mesa e não pensou duas vezes, decidiu se matar, mas quando pegou na faca, a campainha tocou, eram os seus amigos preocupados com ele. No mesmo instante, ele gritou com seus amigos falando que queria ficar sozinho, mandando eles irem embora.

Mais tarde, ele ligou para seus pais e perguntou se eles iriam demorar e seus pais disseram que iriam ficar presos no aeroporto por um bom tempo, pois voltavam de uma viajem de negócios. Então, decidiu ir na última rua do seu bairro, num beco escuro e sombrio, fumar droga. Depois, dirigiu até o rio que cortava a cidade para se matar, mas como ele estava embriagado e sobre efeito de droga, não tinha se tocado que morava em São Paulo e que os rios estavam secos e não havia água lá.

Quando chegou no rio e viu que não tinha água, resolveu deitar-se na margem e descansar, só que ele nessa confusão esqueceu de pegar dinheiro para pagar os traficantes, e eles ficaram procurando-o; só o encontraram quando anoiteceu. Cadê o dinheiro? Cadê o dinheiro? É o que eles perguntavam. No estado que se encontrava, Jhonathan não conseguia sequer juntar as palavras para responde-los. Assim, espancaram o menino e o jogaram em um barranco próximo.

Um morador do local estranhou o movimento e chamou a polícia; logo ouviram a sirene e não os caras da boca não pensaram duas vezes: saíram correndo e não olharam para trás, os policias encontraram o corpo do jovem deitado ali e o levaram para um hospital, fizeram exames e constataram que ele estava bem.

Quando estava saindo do hospital, viu os garotos que zoaram e caçoaram dele na sala de aula entrando no hospital e indo direto para o setor de urgência. Curioso, Jhonathan perguntou para um dos médicos o que havia ocorrido, e o médico respondeu que um acidente gravíssimo aconteceu da BR-447 enquanto jovens fugiam da polícia.

Despois da notícia, resolveu adentar o hospital a procura dos jovens. Logo que ele viu os meninos, percebeu que os traficantes que tentaram agredi-lo eram os seus “colegas” de sala; na hora, ele levou um choque e começou a chorar. Eles estavam num estado muito crítico e precisavam de muito sangue e, por incrível que pareça, o de Jhonathan era compatível com os de todos que sofreram o acidente. O menino confuso estava em um dilema: ajudar quem tentou matá-lo ou deixá-los agonizando à espera da morte? Decidiu, então, que não ajudaria.

No outro dia, ele levantou para ir à escola e algo começou a lhe incomodar, seus pensamentos o faziam pensar que ele era um monstro. Quando bateu o sinal do intervalo, foi falar com seus amigos e percebeu que eles estavam visivelmente afastados dele. Ninguém queria Jhonathan por perto mais, nem seus pais, nem seus amigos, pois todos estavam cansados das suas atitudes grosseiras quando tentavam ajudá-lo. Com isso, ele decidiu ir no único lugar que aceitariam ele: na igreja.

Chegando lá, foi acolhido pelos fiéis. Quando entrou, viu os pais dos seus “colegas”, que vieram lhe pedir desculpas pelas atitudes dos seus filhos, mas ele foi curto e grosso, disse que a vida deles não lhe importava e que eles poderiam apodrecer lá no hospital; também disse que eles estavam só ocupando espaço na Terra.

Todos ficaram chocados com essa reação, e a mãe de um deles desmaiou, bateu a cabeça no banco da igreja e faleceu, mas antes dela partir daqui para um lugar melhor, nos seus últimos suspiros ela lhe pediu humildemente que salvasse eles da morte. Com um olhar de ignorância e crueldade, cuspiu e pisou na cara da mulher e saiu como se tudo estivesse normal. Ao atravessar a rua, um carro desgovernado o atropelou. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

Passaram-se os dias e seus colegas receberam alta, pois os pais de Jhonathan doaram o sangue que eles precisavam. Todo ano eles vão ao túmulo de Jhonathan, deixam flores e fazem um momento de silêncio em respeito a ele, mas nem imaginam que ele está no inferno gritando por socorro e a espera deles.



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